Já passa da
meia-noite e um engravatado se encaminha a um dos boxes do Mercado Municipal de
São Paulo, onde a partir desta hora são vendidas frutas para os atacadistas e
recebidas as mercadorias para o dia seguinte. Invertendo os papéis, o corretor
Nilton Fernandes Beato, de 39 anos, vai ao mercado em busca de clientes, gente
interessada em comprar apartamentos durante a madrugada.
O nicho inusitado
foi descoberto por acaso. Corretor há cerca de oito meses, Beato não tinha
conseguido vender nenhum apartamento, atender nenhum cliente. Até o dia em que
ficou depois da hora no estande e conseguiu o primeiro interessado. Nascia ali
o corretor da madrugada. “Vendo imóveis para quem trabalha à noite e para quem
curte a noite. Estou há oito meses trabalhando como corretor. Em quatro, não
vendi nada. Nos outros quatro, estou na madrugada e vendi 14”, diz Beato. Em
junho, ele foi o segundo maior vendedor entre os 3 mil corretores com quem
trabalha.
Entre os negócios
fechados por Beato estão apartamentos na avenida Brigadeiro Luis Antonio (na
região central da capital), de 40 e 57 m², por até R$ 450 mil, e no Brás, de 53
e 63 m², por até R$ 400 mil. Em Campinas, vendeu imóvel no bairro Cambuí, de 46
e 65 m², por até R$ 420 mil.
Cenário imobiliário
De acordo com os dados mais recentes da entidade que representa o setor no país, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), em junho deste ano, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança atingiram R$ 7,4 bilhões, queda de 5% na comparação com junho do ano anterior. Na comparação com maio deste ano, no entanto, houve alta de 18% no volume emprestado. Em 2012, a previsão da Caixa Econômica Federal é que o crédito para a casa própria atinja R$ 100 bilhões.
De acordo com os dados mais recentes da entidade que representa o setor no país, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), em junho deste ano, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança atingiram R$ 7,4 bilhões, queda de 5% na comparação com junho do ano anterior. Na comparação com maio deste ano, no entanto, houve alta de 18% no volume emprestado. Em 2012, a previsão da Caixa Econômica Federal é que o crédito para a casa própria atinja R$ 100 bilhões.
Nos seis primeiros
meses do ano, as vendas de imóveis residenciais novos na capital paulista
voltaram a subir, com leve alta de 2,6%, revertendo, em
parte, a queda de 31% registrada no primeiro
semestre de 2011, de acordo com informações do Sindicato da Habitação
(Secovi-SP).
Os preços dos
imóveis em São Paulo acumulam alta de 9,1% no ano, até julho, e de 18,8% em 12
meses, segundo aponta o índice FipeZap.
A caminho da balada
Beato começou a nova rotina perto da balada, abordando quem estava a caminho de uma boate ou de um teatro, que ficam no centro de São Paulo. Vendeu seis apartamentos. “Tem casal namorando, sonhando em ter apartamento e você chega oferecendo um, eles pensam”, conta Beato.
Beato começou a nova rotina perto da balada, abordando quem estava a caminho de uma boate ou de um teatro, que ficam no centro de São Paulo. Vendeu seis apartamentos. “Tem casal namorando, sonhando em ter apartamento e você chega oferecendo um, eles pensam”, conta Beato.
A filha da gerente
comercial Mônica de Andrade e o namorado dela foram um dos casais que caíram
nas graças de Beato na madrugada. A caminho da balada, a moça viu o estande,
armado com bebidas para seduzir os clientes, e levou o material informativo à
mãe. No domingo, durante o dia, Mônica e o marido foram conhecer o
empreendimento e, na segunda-feira, fecharam a compra de duas unidades. “Eu
nunca ia imaginar que tinha apartamento sendo vendido de madrugada. Achei uma
baita sacada”, diz Mônica, de 46 anos.
Acabadas as
unidades em São Paulo, Beato foi vender apartamentos em Campinas. Como não
encontrou balada perto dos imóveis, surgiu a ideia de peregrinar pela
Ceasa-Campinas (Centrais de Abastecimento de Campinas). “Eu fornecia frutas no
Paraná, principalmente uva, por isso sabia como funcionava à noite”, conta.
Vendeu mais oito apartamentos e se tornou o segundo maior vendedor do ranking
de 3 mil corretores da empresa em que trabalha.
O Mercado
Municipal é o terceiro lugar por onde ele circula. “Esse pessoal que trabalha
não tem dia livre. Trabalham durante a noite e não têm tempo, então eles
preferem olhar durante a noite. Quem está na balada aproveita para ver o
apartamento sem tanta gente”, diz Beato. “A balada é melhor, sempre tem filho
de papai, né?”
Para vender, Beato
carrega os folders do imóvel e não poupa o gogó – explica o empreendimento, a
localização, insiste, volta. Empolgado, ele diz que chegou a trabalhar 24 horas
seguidas, fazendo o horário normal e a noite. Hoje, entra por volta das 14h
quando vai "fazer madrugada".
No Mercado de São
Paulo, fala com oito, dez proprietários de boxes por noite. Um deles é Moacir
Dib, 61 anos, que está negociando um apartamento no prédio Estação Brás, da
incorporadora Setin, que custa cerca de R$ 360 mil. “Acho que ele teve, sim,
uma boa ideia de vender na madrugada. Não muda comprar na madrugada ou de dia,
acho que tudo é questão se serve, se cabe pra gente”, diz Dib, que trabalha há
36 anos na madrugada.
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